No passado sábado (19 de Abril) realizou-se no Salão Nobre dos Paços do Concelho uma sessão pública para discussão sobre a hipotética barragem de Fridão prevista no âmbito do Plano Nacional de Barragens.
Nesta sessão palestraram os Profs. Hélder Leite e Rui Cortes bem como a Eng. Berta Estevinho. O nosso grupo não quis deixar de comparecer a uma iniciativa deste género e aqui ficam as conclusões retiradas dos esclarecimentos prestados.
PALESTRA SOBRE A HIPOTÉTICA BARRAGEM DE FRIDÃO
Conclusões
Da assinatura do Protocolo de Quioto surgiram algumas medidas em Portugal para reduzir a emissão de gases causadores do efeito de estufa para conseguir cumprir as metas estabelecidas.
Um dos planos que nasceu (ou renasceu) foi o do aproveitamento hidroeléctrico do rio Tâmega que previa a construção de 3 barragens, uma das quais em Fridão (Amarante) a cerca de 6 km do centro histórico.
Muitos foram os estudos de impacte ambiental e alguns deles anunciam colapsos nos ecossistemas na zona circundante à hipotética barragem, que é considerada zona sensível.
Esta barragem surge num plano de medidas de combate à dependência económica de Portugal que necessita de importar grande fatia da matéria-prima para a produção de energia, nomeadamente petróleo e de carvão para as centrais térmicas. Pensa-se também que com estas medidas será possível atingir a meta proposta pelo governo, que é produzir 45% da sua energia através de fontes de energia renovável e também cumprir os objectivos do Protocolo de Quioto não se arriscando a ter de pagar multas.
Contudo, parece que este plano de acção só se preocupa com a resolução do problema energético nacional e não com a estabilidade e qualidade de vida das cidades e habitantes das zonas em que se vão instalar as barragens.
A construção da barragem de Fridão acarreta vários problemas ambientais devido à zona em que hipoteticamente será construída. O local envolvente à barragem é sobretudo zona florestal e agrícola, que são terras ricas em nitratos e fosfatos devido à utilização de fertilizantes agrícolas. Por processos de lixiviação estes químicos afluirão ao rio criando habitats propícios.
O crescimento destas algas denomina-se por eutrofização e despoleta crescimento de umas algas superficiais na albufeira, algumas delas tóxicas que acentuarão o grave problema que o rio já traz de Espanha, a poluição da sua água. Consequências gravíssimas no ecossistema, quebrando o equilíbrio das espécies.
A existência de uma barreira de algas impede que a luz solar atravesse para águas profundas impedindo a fotossíntese nas plantas aquáticas e consequentemente a água empobrece-se em oxigénio. Esta desoxigenação da água abalará certamente a fauna e flora aquática.
Outro problema preso também à construção da barragem e à eutrofização das águas é a estratificação térmica. Dependendo da altura da barragem e da zona de captação da água para a queda surge a problemática dessa água ser pouco oxigenada e volta-se ao problema da poluição.
Amarante, muito conhecida pelo seu centro histórico e muito sustentada no turismo ficará sem margem de dúvida abalada pela construção da barragem. A jusante da barragem (zona centro da cidade), devido à diminuição do caudal, o rio poderá ter um mau aspecto, as águas ganharão cores invulgares e poderão existir maus odores que denegrirão a imagem da cidade aos visitantes e diminuir a qualidade de vida dos que nela vivem.
Para a nossa cidade, considerada uma das mais verdes do país, o impacte desta infra-estrutura destruirá a sustentabilidade dos ecossistemas e irá fragilizar espécies características da zona.
A montante da barragem aparece o problema da inundação das margens que destruirá o habitat de algumas espécies e fala-se mesmo, devido à envergadura da barragem, de ter de se desalojar algumas zonas habitacionais.
A nível estético também trará consequências preocupantes, dado que a estrutura de aproximadamente 100 metros de altura (a altura da barragem ainda não esta totalmente definida, segundo sabemos, mas oscila entre 90 e 110 metros) não se enquadra na morfologia da região, o que enegrecerá a imagem da cidade tão dependente da sua zona centro.
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